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Sindicalismo, sociedade e disputa de hegemonia no centro oeste

 

Plano Nacional de Formação de Dirigentes – PNFD da Central Única dos Trabalhadores na Região Centro Oeste.

No período que compreende os anos de 2009, 2010 e 2011, a Escola Centro Oeste Apolônio de Carvalho, vem coordenando Plano Nacional de Formação de Dirigentes da CUT na Região Centro Oeste, ao qual, mais de 600 trabalhadores e trabalhadoras sindicalistas passaram pelo processo de formação política e social da Central Única dos Trabalhadores. Pautados por dois eixos de ação sindical, os conteúdos e temas trabalhados nos módulos dos cursos de Organização e Representação Sindical de Base e Formação de Formadores tiveram o objetivo de proporcionar reflexões acerca da atuação da CUT em sua base e na sociedade brasileira. Desta forma os conteúdos visam: dentro do Eixo 1: Fortalecimento da Base e no Eixo 2: Democratização do Estado Brasileiro.

No eixo 1 os conteúdos são voltados para a compreensão do processo de construção do movimento sindical no Brasil e no mundo no passado e na atualidade. As mudanças no comportamento da classe trabalhadora e os efeitos das constantes transformações tecnológicas e estruturais do sistema de produção no local de trabalho e na sociedade contemporânea. Do sindicalismo livre e autônomo do início do século XX ao sindicalismo corporativista, fragmentado e preso às regulamentações da CLT e do Ministério do Trabalho do período Vargas até a constituição de 1988 os conteúdos buscam proporcionar o debate acerca da ação sindical que vai contrária à lógica corporativista e pelega e que busca a liberdade e autonomia sindical. Os campos e correntes que defendem cada linha de atuação no movimento sindical e os princípios que criaram e mantém a Central Única dos Trabalhadores como a maior Central Sindical do país e uma das maiores do mundo.

O que é ser um sindicato, um ou uma sindicalista cutista? Quais os princípios que regem a ação sindical cutista? O que defendemos? O que queremos? E, o que somos? São perguntas que estão presentes no nosso percurso metodológico e que são trabalhados no dia-a-dia da nossa formação.

Mais que uma concepção e prática sindical, o ORSB tenta construir, coletivamente, o conhecimento necessários para uma prática sindical do cotidiano, as questões burocráticas e convencionais e a sua conexão com a realidade social. Dessa forma, a compreensão que se passa é que não adianta ser um ótimo sindicalista no campo da negociação, da regulamentação oficial e da burocracia sindical do dia-a-dia, mas é preciso compreender melhor a sociedade à qual sua base está inserida. Seus anseios, suas atitudes, sua formação e suas perspectivas de vida e sonhos. Além, é claro, dos elementos culturais e históricos que compreendem a política, a economia e a educação de suas comunidades. Sendo assim, os conteúdos e temas escolhidos e trabalhados na Escola Centro Oeste Apolônio de Carvalho, trazem elementos históricos e culturais da Região Centro Oeste e suas particularidades que irão influenciar nas atitudes da base de nossos sindicatos. A cultura agrária, machista e patriarcal e as influencias do coronelismo na cultura política do Centro Oeste são elementos essenciais para compreensão da relação dos (as) sindicalistas com os sujeitos de suas bases de atuação.

Nesse sentido, é importante também que se pergunte: Com quem falamos? Quem defendemos? Que sujeitos e sujeitas são esses (as)? Contra quem lutamos? Essas questões, assim como as anteriores, são problematizações metodológicas para a construção de percursos de formação que proporcionem a reflexão acerca dos sujeitos e sujeitas que constituem a classe trabalhadora do século XXI, em especial aqui na região Centro-Oeste.

O Eixo 2 compreende um conjunto de conteúdos e temas que proporcionam a reflexão acerca da atuação do sindicato na luta pela democratização das políticas públicas no Brasil, ou democratização do Estado e a luta de hegemonia instaurada entre as classes sociais no país. O movimento sindical não deve se tornar um mundo em uma “redoma de vidro ou cristal”, é preciso que esteja a par das políticas de desenvolvimento social, cultural e econômico da classe trabalhadora. A consciência de classe passa pela luta não apenas por direitos trabalhistas mas também pelas condições dignas de moradia, alimentação, educação, lazer, meio ambiente e cultura da classe trabalhadora. Nesse sentido, é necessário que nossos sindicatos compreendam a importância de suas participações nos organismos consultivos e deliberativos de políticas públicas no Brasil, como os conselhos municipais, estaduais e nacionais, os territórios rurais e de cidadania e os comitês de bacias hidrográficas, criados para participação ampla da sociedade na elaboração de políticas públicas para os Estados, municípios e nação brasileira. No caso da Escola Centro Oeste Apolônio de Carvalho, existe o subsídio da sua participação em dois grandes projetos do Governo Federal na região de atuação junto às organizações de economia solidária no Centro Oeste e aos colegiados territoriais dos territórios rurais e de cidadania do Estado de Goiás e Entorno do Distrito Federal.

Pautar as ações sindicais a partir de uma política territorial quer dizer que o que está em foco é a disputa de hegemonia da classe trabalhadora no contexto da sociedade brasileira. É, acima de tudo, pensar o sindicato como uma ferramenta de luta da classe trabalhadora na relação Capital X Trabalho que se dá no seio da produção capitalista industrial e agrária nos ambientes rurais e urbanos. A política territorial, quando colocada em pratica, pode contribuir para a sensibilização da classe trabalhadora quanto à necessidade de se construir uma identidade de classe ou consciência de classe. O termo política territorial se constitui no elo entre os princípios, metas e ações do sindicato e a identidade territorial necessária para a defesa dos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, ou seja, só se defende aquilo ao qual se tem identidade territorial. A disputa entre classes se materializa no espaço geográfico formando espaços diferenciados pelas condições socioeconômicas daqueles que os construíram. 

O padrão de moradia, a infraestrutura utilizada, a disponibilidade de serviços de saúde, cultura e educação essenciais à qualidade de vida, diferenciam e separam as classes sociais na cidade e no campo. A luta por igualdade social coincidirá também pela luta de igualdade espacial, pela construção de espaços que permitam a todas as classes sociais o acesso aos instrumentos essenciais para a uma de vida digna à qual temos direito. Lutar para que isso aconteça é também lutar pela categoria de seu sindicato, assim como lutar pela categoria passa pela luta por melhores condições de vida fora do local de trabalho. Diante disso, não se pode mais pensar no sindicato como algo limitado às estruturas do local de trabalho. A política sindical deve ser, acima de tudo, uma política territorial sindical.

No programa de Formação de Formadores, buscamos o reforço dos princípios e conteúdos trabalhados no ORSB e direcionamos a formação para o campo do pedagógico e da formação de novos dirigentes como forma de ampliar a formação cutista em nossa base territorial. Nesse sentido, os conteúdos são acrescidos de elementos que nos levam à compreensão dos projetos de educação que disputam a educação brasileira, seus princípios, suas formas e seus conteúdos. Qual o projeto defendido pelo movimento sindical e qual aquele que queremos para a classe trabalhadora?

 

Dinâmica Formação de Formadores

A formação crítica do militante sindical passa pela compreensão do que vem a ser a Formação Integral do Trabalhador e da Educação para a Classe Trabalhadora. Com o objetivo geral de Criar e Fortalecer a Rede de Formadores da CUT em todo o país. O FF está relacionado à formação dos Coletivos de Formação das entidades estaduais e de nossos ramos de atuação. Foram 3 turmas de Formação de Formadores do PNFD e uma turma que foi desenvolvida por conta própria da Escola em 2008. 

Desse trabalho podemos perceber resultados significantes como a inserção de novos dirigentes no movimento sindical em todos os Estados. Egressos das nossas turmas assumiram direções em seus sindicatos e em suas respectivas centrais estaduais, apresentando poder de renovação do quadro de dirigentes sindicais na região. A realização do primeiro curso regional de juventude e do primeiro seminário regional de formação que resultou na organização de coletivos estaduais de juventude e o fortalecimento dos coletivos estaduais de formação. Mas, o mais importante foi à reestruturação dos coletivos estaduais de formação com participação de egressos na organização e colaboração no processo de formação em ORSB de seus estados, organização de diversos seminários temáticos em seus sindicatos entre outras ações.

Entre o lado negativo do FF podemos destacar quanto ao perfil de alguns participantes que não condiziam com a realidade exigida para participar do mesmo. Chegaram para fazer o curso, militantes recém-chegados no movimento sindical e que tinham dificuldades de compreender o conteúdo e os temas trabalhados, não ser que se fizesse um retrospecto geral da história do movimento sindical trabalhada no ORSB, isso fez com que, algumas turmas trabalhassem muito o básico e o curso se tornou uma mescla de FF com Curso de Formação de Dirigentes, prejudicando o bom desenvolvimento de nossa metodologia. Outro ponto negativo foi à evasão que foi considerável, gerando prejuízos financeiros ao programa.  

Programa Formação de Formadores – FF

 

Quanto ao ORSB, foi significativa a participação de militantes do interior de seus respectivos Estados, mostrando um grande poder de ampliação de nossas ações sindicais e proporcionando o fortalecimento dos princípios que orientam a ação sindical da CUT entre seus sindicatos e sindicalistas. Pode se observar várias reflexões acerca do “descobrimento” ou “reencontro” do militante com a CUT, ou seja, ao reforçar os nossos princípios, proporcionamos momentos de reflexões sobre nossas práticas sindicais do dia-a-dia e isso foi bem destacado nos momento de avaliação. Em muitos casos encontramos com dirigentes recém-chegados no movimento e que não sabiam do que se tratava ser um sindicato cutista. Mas também nos deparamos com sindicalistas antigos no movimento que reformularam suas concepções, principalmente no que se refere às questões de raça, gênero e diversidade sexual. 

 

Formação de Juventude Centro Oeste

A participação de militantes do interior proporcionou várias manifestações importantes de realização de atividades formativas no interior em seus municípios e em seus sindicatos ou federações, foram seminários e encontros temáticos que surgiram do momento de participação no ORSB proporcionados pelos momentos de troca de experiências e debates ideológicos.

De forma geral e resumida, o Plano Nacional de Formação de Dirigentes da Central Única dos Trabalhadores no Centro Oeste teve suas metas e objetivos alcançados com sobra. Fato que fez crescer a demanda por formação na região com solicitações de abertura de mais turmas de ORSB e de FF. 

Ubiratan Francisco de Oliveira

Assessor de Formação da Escola Apolônio de Carvalho

Professor Mestre em Geografia