Apolônio de Carvalho - 100 Anos

Datashow de Imagens

  • ECOCUT elege nova Direcao

    ECOCUT elege nova Direcao

  • Formacao ECOCUT

    Formacao ECOCUT

  • 11 CONCUT - Sao Paulo

    11 CONCUT - Sao Paulo

  • ECOCUT participa de oficina sobre os territorios

    ECOCUT participa de oficina sobre os territorios

  • Curso de Negociacao Coletiva - MII

    Curso de Negociacao Coletiva - MII

  • Curso de ORSB da CUT/GO

    Curso de ORSB da CUT/GO

  • 11 CONCUT - Sao Paulo

    11 CONCUT - Sao Paulo

download free wordpress themes

A Formação Sindical e a Formação em Economia Solidária

A Formação Sindical cutista historicamente tem tido um papel importante e estratégico na construção coletiva da concepção sindical, de uma cultura de classe e da identidade da classe trabalhadora. Trabalha com o resgate da trajetória dos trabalhadores (as) e do seu papel enquanto agente de transformação da sociedade. Cria as condições para esse trabalhador (a) questionar e teorizar a partir da apropriação do seu conhecimento acumulado e de sua própria prática. É um instrumento capaz de, cotidianamente, aumentar o potencial e a qualidade de intervenção do sindicato na sociedade. Enfim, a formação sindical visa desenvolver a emancipação política, social e humana dos trabalhadores e trabalhadoras, tanto para as relações de trabalho e no trabalho, quanto nas relações pessoais e sociais em geral. 

Para a formação a CUT defende a concepção de Educação Integral, que abrange todas as dimensões da educação (cultural, técnica, social, política) em um processo permanente de construção coletivo e dialógico do conhecimento, vivenciado através de um fazer pedagógico e metodológico, sem dúvida, emancipador, onde os conteúdos, os diálogos, os debates e as reflexões se constituem em processos de (re) construção de novos conhecimentos, promovendo um empoderamento visível dos/as envolvidos, percebido nas falas, na atuação e na ação no dia-a-dia pessoal e sindical.

Este processo tem levado a CUT a atuar, também, na formação em Economia Solidária, desde o ano de 1999, com a criação da Agência de Desenvolvimento Solidário – ADS, criada com o objetivo de contribuir para a construção de uma sociedade democrática, organizada de forma solidária e participativa, voltada para satisfazer as condições de vida, considerando seus aspectos sociais, ambientais, políticos, culturais e econômicos dos trabalhadores (as). 

A experiência da CUT na Economia Solidária vem se consolidando e avançando e tem naturalmente levado a atuar em programas e projetos de formação em Economia Solidária, como o Projeto de implantação de Centros de Formação em Economia Solidária, que na região Centro-Oeste, está sendo implementado pela Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT Apolônio de Carvalho em parceria com o Ministério do Trabalho e Secretaria Nacional de Economia Solidária. 

A atuação na formação em Economia Solidária tem levado a CUT a dialogar com o movimento de Economia Solidária sobre a concepção de formação e conseqüentemente, sobre a concepção da própria Economia Solidária. Esta reflexão tem alimentado e se alimentado de concepções da formação sindical da CUT, especialmente sobre qual o projeto político pedagógico necessário a formação em economia solidaria; a sistematização coletiva das vivências e experiências; a construção da rede de educadores (as); a formação de formadores; o percurso pedagógico, dentre outros. 

A educação/formação em economia solidária, neste sentido, é concebida como uma construção social inerente aos processos de trabalho autogestionários, como elemento fundamental para viabilizar as iniciativas econômicas, para ampliação da cidadania ativa e do processo democrático e como um movimento cultural e ético de transformação das relações sociais como base de um novo modelo de desenvolvimento e, tem ainda, como tarefa o desenvolvimento e sistematização de metodologias de educação popular em economia solidária.

Como parte do processo de formação tem sido feita muitas reflexões sobre concepção de Economia Solidária, baseadas no acúmulo que a CUT e o movimento de economia solidária possuem oriundos do processo de discussão sobre a economia solidária desde os anos 90 que levou a criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (dentro do Ministério do Trabalho), do Conselho Nacional de Economia Solidária e da realização de duas Conferencias Nacionais de Economia Solidária (2006 e 2010), onde se reafirmou que, para a construção de uma estratégia de desenvolvimento sustentável e solidário, coloca-se a necessidade de reconhecimento da economia solidária como direito de cidadania, entendido como direito dos trabalhadores (as) às condições socialmente necessárias de produção e como dever do Estado. Neste sentido, um dos grandes desafios é avançar na institucionalização e na ampliação das políticas públicas de Economia Solidária, tornando-a permanente na estrutura do Estado Brasileiro. Para isto, uma das propostas mais consistentes apresentadas foi a da necessidade da elevação política do órgão federal responsável pela Política Pública de Economia Solidária, com a criação de um Ministério da Economia Solidária.

Dentro desta concepção, o Ministério da Economia Solidária, viabilizaria lutas e conquistas do movimento, tais como: o reconhecimento dos empreendimentos econômicos solidários, como sujeitos de direito; a ampliação do acesso ao conhecimento por meio da educação, da formação, do assessoramento técnico e das tecnologias sociais; a ampliação do acesso ao crédito (investimentos e capital de giro) para os empreendimentos, bem como fortalecimento das iniciativas de finanças solidárias (bancos comunitários, fundos solidários e cooperativas de crédito solidário); a ampliação do acesso aos mecanismos e instrumentos de comercialização justa e solidária, incluindo a implantação do Sistema de Comércio Justo e Solidário e a participação dos empreendimentos econômicos solidários nas compras governamentais.

Entretanto, esta é uma concepção em disputa, porque existe um Projeto de Lei, o PL 865, que propõe a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa com status de Ministério, e, propõe levar o Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES) e a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) para a mesma. Esta Secretaria, da Micro e Pequena Empresa, teria competências relacionadas à formulação de políticas e diretrizes de apoio à microempresa, à empresa de pequeno porte e ao segmento do artesanato para tratar de temas como o cooperativismo e associativismo urbanos, a promoção do desenvolvimento de arranjos produtivos locais, programas de qualificação e extensão empresarial, e iniciativas para o aumento da participação das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras e sua internacionalização. 

Esta concepção não coaduna com a concepção da Economia Solidária descrita acima e defendida pelo movimento de economia solidária. A concepção defendida é a da constituição, fortalecimento e articulação de empreendimentos autogestionários, buscando a geração de trabalho e renda, através da organização econômica, social e política dos trabalhadores, inseridos num processo de desenvolvimento sustentável e solidário. 

Buscando continuamente o reconhecimento do saber acumulado pelos trabalhadores e trabalhadoras, na vida em geral e no trabalho, em especial, sempre partindo do acúmulo da política de formação da CUT e das experiências e saberes de cada trabalhador (a) envolvido (a) nos processos formativos é que acreditamos e defendemos o que já está referenciado pelo movimento nas suas instâncias de reflexão e deliberação.

A ECO/CUT e o Centro de Formação em Economia Solidária

A experiência da CUT na Economia Solidária vem se consolidando e avançando e tem nos levado a atuar em programas e projetos de formação em Economia Solidária, como o Projeto de implantação de Centros de Formação em Economia Solidária em todas as regiões do país. Na região Centro-Oeste, no ano de 2008, com o apoio do movimento de economia solidária, a ECO/CUT - Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT - Apolônio de Carvalho, firmou parceria com a Secretaria de Nacional de Economia Solidaria do Ministério do Trabalho para a implantação do Centro de Formação da região com o objetivo de fazer a formação em Economia Solidaria nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

Desde então, o CFES vem fazendo a formação em economia solidária, tendo como principais objetivos:

  • contribuir para o fortalecimento dos empreendimentos econômicos solidários por meio da ampliação do número de formadores (as) em economia solidária;
  • desenvolver metodologias e conteúdos de formação em economia solidária;
  • sistematizar e disseminar as metodologias e os conteúdos da formação em economia solidária;
  • produzir e disseminar materiais pedagógicos e informativos sobre economia solidária; 
  • contribuir para a articulação de formadores (as) e educadores (as) que atuam com economia solidária.

O CFES vem se constituindo como um espaço de consolidação de saberes, vivências e conhecimentos em economia solidária na região Centro-Oeste, por onde já passaram milhares de pessoas nas atividades desenvolvidas:

  • cursos estaduais e regionais de formação de formadores em economia solidária;
  • seminários regionais de formação em assistência técnica voltada para economia solidária; de sistematização e do projeto político pedagógico do CFES;
  • oficinas locais de formação em economia solidária e,
  • reuniões estaduais e regionais de articulação de formadores.

Desde a implantação do CFES, 3.322 pessoas já participaram das atividades, sendo 1.040 homens e 2.282 mulheres, conforme podemos observar pelos números por Estado:

  1. Distrito Federal: 917 participantes, sendo 302 homens e 617 mulheres.
  2. Goiás: 763 participantes, sendo 260 homens e 503 mulheres.
  3. Mato Grosso: 843 participantes sendo 256 homens e 587 mulheres. 
  4. Mato Grosso do Sul: 799 participantes, sendo 222 homens e 577 mulheres.

Além da formação em economia solidária voltada para educadores/as, os empreendimentos, os gestores/as das políticas públicas em economia solidária, os militantes da economia solidária, tem se destacado, a participação do movimento sindical no movimento da economia solidária. Todas as CUTs nos Estados estão profundamente envolvidas nas atividades de formação, nos fóruns de economia solidária, nos debates promovidos na realização de eventos do movimento. Após a implantação do CFES na região, muitos sindicatos e dirigentes sindicais e das CUTs assumiram e estão assumindo papéis de destaque no movimento e na luta por uma economia solidária nos seus municípios, sindicatos e locais de trabalho.

Acreditamos, que a formação em Economia Solidária junto com a formação sindical tem contribuído para fortalecer e estimular a cooperação, a solidariedade, a transparência nas ações e atitudes, a sustentabilidade, a igualdade entre homens e mulheres, a coletivização dos meios de produção, o comprometimento com o projeto coletivo, os movimentos e organizações sociais. Essa postura e comportamento indicam, reforçam e fortalecem a relação política da CUT com outros movimentos. 

Reforçando a nossa crença no papel estratégico da formação dos trabalhadores (as) citamos o professor Paul Singer, que diz: 

“A Economia Solidária é um ato pedagógico em si mesmo, na medida em que propõe uma nova prática social e um entendimento novo desta prática. A única maneira de aprender a economia solidária é praticando-a. mas, seus valores fundamentais, precedem a prática”.

 

Colaboração Sueli Veiga Melo

Coordenadora Geral da ECO/CUT