Apolônio de Carvalho - 100 Anos

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Massacre de Carajás e o pacto do latifúndio com o Poder Judiciário

Uma marcha pacífica com mais de mil trabalhadores rurais organizados pelo MST percorria uma rodovia de Parauapebas a Marabá em 17 de abril de 1996. Foram encurralados por dois batalhões da Policia Militar, em uma localidade conhecida como Curva do S, no município de Eldorado de Carajás. Um batalhão saíra de Parauapebas e outro de Marabá, apoiados por caminhões boiadeiros, que trancaram a estrada dos dois lados.

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Edital de SELEÇÃO para contratação de 02 Educadores (as)

Edital de Seleção

 

A Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT Apolônio de Carvalho – ECO/CUT, entidade orgânica à Central Única dos Trabalhadores – CUT, é uma associação civil sem fins lucrativos, que visa à formação de lideranças sindicais e a qualificação dos trabalhadores/as que se identificam com o projeto sindical da CUT e o fortalecimento do sindicalismo democrático, classista e de massas e tem como área de abrangência o Distrito Federal e os Estadosde Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.Com sede administrativa na cidade de Goiânia/GO, à Rua 70, n. 661, Setor Central, CEP 74055-120; torna público o processo de seleção para (02) VAGAS DE EDUCADOR (A) SINDICAL.

 

Objetivo: Constituir a equipe de educadores (as) da CUT e da ECO/CUT e desenvolver o Programa Nacional e Regional de Formação da CUT.

 

Perfil Profissional

 

Para a vaga de Formador (a) Sindical, EXIGEM-SE as seguintes qualificações e habilidades, apontadas no currículo:

1.      Capacidade de formulação e elaboração de textos, documentos e projetos;

2.      Capacidade de planejar, preparar, realizar, conduzir e mediar processos de formação;

3.      Conhecimento e capacidade de desenvolver metodologias de avaliação e sistematização;

4.      Conhecimento e domínio de ferramentas de informática, principalmente internet, Word e Excel;

5.      Conhecimento e domínio de metodologias participativas e da pedagogia da educação popular;

6.      Disponibilidade para trabalho em período integral;

7.      Disponibilidade para viagens;

8.      Elaboração de relatórios, registros e documentação das atividades realizadas;

9.      Experiência profissional acumulada em atividades educacionais ou formativas no campo da formação sindical, social, educação popular;

10.  Facilidade e capacidade de interlocução política;

11.  Facilidade e disponibilidade para o trabalho coletivo;

12.  Formação acadêmica de nível superior.

 

Perfil desejável (complementar):

 

1.      Especialização.

2.      Pós-graduação em qualquer área.

3.      Mestrado em qualquer área.

4.      Doutorado em qualquer área.

5.      Artigo publicado em periódico, jornal, revista ou outra publicação de circulação estadual, regional ou nacional.

 

Jornada, local de desempenho da função e remuneração:

 

1.      Jornada: 40 horas, regime CLT.

2.      A função será desenvolvida na ou a partir da sede da ECO/CUT, em Goiânia/GO.

3.      As atividades serão desenvolvidas no Distrito Federal e nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

4.      As atividades a serem desenvolvidas acontecerão em dias úteis e finais de semana.

5.      Remuneração (liquida): R$2.750,00 (dois mil e setecentos e cinquenta reais).

 

Processo Seletivo:

 

O processo seletivo para avaliação de competências e habilidades dos candidatos (as) e disponibilidade para realização dos serviços compreende:

·         1ª. fase: Inscrição do Currículo

·         2ª. fase: Análise dos Currículos

·         Entrevista (somente para os currículos selecionados na 1ª. fase).

 

Prazos

 

1.      Envio de Currículos: de 04 a 20 de fevereiro de 2013.

2.      Divulgação da relação dos Currículos inscritos: 21 de fevereiro de 2013.

3.      Análise dos Currículos: 22 de fevereiro de 2013.

4.      Divulgação do resultado da 1ª. seleção dos currículos: 25 de fevereiro de 2013.

5.      Entrevista: dias 01 e 04 de março de 2013.

6.      Divulgação do resultado final: 05 de março de 2013.

 

7.      Contratação: Imediata.

 

Os candidatos deverão enviar um currículo para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

 

O processo de seleção será feito pela Coordenação Executiva da ECO/CUT e o resultado final será divulgado no site www.ecocut.org.br.

 

 

Goiânia/GO, 04 de fevereiro de 2013.

 

 

 

 

Sueli Veiga Melo

Coordenadora Geral da ECO/CUT

Planejamento Territorial e Desenvolvimento Local: O Papel do Movimento Sindical

Desde 2003, o Governo Federal vem criando espaços territoriais para planejar as políticas públicas de desenvolvimento local no território brasileiro. Trata-se dos Territórios Rurais e Territórios de Cidadania criados ao longo desses 9 anos de mudança no poder executivo com a chegada do Governo Lula ao poder e a continuação de seus princípios populares no Governo Dilma. São 164 Territórios criados para proporcionar uma forma diferente de planejamento de políticas públicas para o desenvolvimento local. O objetivo maior é fazer com que as demandas partem da sociedade local e seja de acordo com suas reais necessidades e, com isso, proporcionar um desenvolvimento endógeno, ou seja, que parta de dentro para fora das comunidades atendidas. 

São 2.500 Municípios atendidos, com 52,5 Milhões de pessoas, sendo 458 Mil Pescadores, 2,5 Milhões de Agricultores Familiares, 645 Mil Assentados da Reforma Agrária, Mil Comunidades Quilombolas, 377 Terras Indígenas. Com uma demanda social de 3 Milhões de Famílias e 948 Municípios Estagnados. A novidade por parte do Governo Federal está na chamada “Abordagem Territorial” utilizada como metodologia para elencar as prioridades de ações e projetos das políticas públicas do Governo para o desenvolvimento local. Esse tipo de abordagem leva em consideração todos os atores sociais presentes no território, sejam eles da sociedade civil, organizada ou não, e dos governos municipais e estaduais. 

Nesse sentido, foram criados os “Colegiados Territoriais”: grupo de gestores do território composto por representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais que irão coordenar o trabalho de definição dos programas governamentais com suas ações e projetos para o território. Dessa forma, todos os recursos investidos nos municípios que estão contidos nos territórios deverão passar a ser para atender os projetos e ações levantados pelo Colegiado Territorial. Esse tipo de política descentralizadora pode proporcionar – e a idéia é justamente essa – a emancipação da sociedade civil diante do aparelhamento político das estruturas estatais aos políticos e seus chamados “currais eleitorais”, ou seja, área de influência de determinados políticos que se impõe pelo poder de barganha de votos por favores de interesses individuais ou coletivos.

Na mesma lógica dos programas de Orçamento Participativo implantados pelas prefeituras dirigidas pelo Partido dos Trabalhadores, os Territórios Rurais e de Cidadania definem onde e como serão aplicados os recursos da União em seus municípios. Hoje, uma lógica já foi alterada e pode ser facilmente percebida: os prefeitos estão frenquentado as plenárias dos colegiados para submeterem seus projetos aos mesmos. Houve uma inversão de valores que colocam os principais atores em seus devidos lugares no momento de decidirem o rumo de seu desenvolvimento. 

Contudo, ainda é notória a desarticulação da sociedade civil na participação dos colegiados que, em geral, são dominados por técnicos de órgãos governamentais que defendem os interesses das oligarquias políticas e econômicas tradicionais e conservadoras. A Sociedade Civil precisa se atentar para a importância de participar dos colegiados de forma articulada a atender os interesses da classe trabalhadora. Propor modelos de desenvolvimento que possibilitam a inversão de valores sobre os empreendimentos a serem atendidos pelos programas governamentais. 

Os sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras têm papel fundamental nesse processo de organização da sociedade civil para participar dos colegiados. A experiência da participação da Escola Centro Oeste de Formação da CUT – Apolônio de Carvalho no processo de elaboração e qualificação do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável dos Territórios de Cidadania e Territórios Rurais de Goiás e Entorno de Brasília, pôde nos mostrar quão é importante a organização e articulação dos sindicatos da base da Central Única dos Trabalhadores para a disputa de projetos que possam atender as demandas da classe trabalhadora nos territórios. Precisamos compreender que são “Territórios em Disputa” pelos diversos grupos sociais, organizados ou não, com seus respectivos projetos. Esses grupos precisam compreender que, acima de tudo, essa disputa se dá no campo da Luta de Classe e que a classe trabalhadora precisa se organizar melhor e se articular com projetos que visam à diminuição das desigualdades sociais e a inversão da lógica de aplicação de recursos públicos no Brasil.

A CUT e seus sindicatos têm papel importante na defesa dos interesses da classe trabalhadora no Brasil e os espaços deliberativos de políticas públicas para projetos importantes são fundamentais para a efetivação de um sindicalismo propositivo e que pauta os rumos do desenvolvimento social, cultural, econômico e ambiental do país com o compromisso de melhorar a situação de milhões de trabalhadores e trabalhadoras em situação de vulnerabilidade na sociedade brasileira. Os territórios podem ser grandes instrumentos de transformação dessa realidade, mas para isso, é preciso que nós trabalhadoras e trabalhadores tenhamos definidos os nossos projetos de sociedade.

São mais de 1 Bilhão de Reais aplicados em cada território, mas os recursos são disputados por vários grupos sociais e em diversos tipos de projetos, desde a compra de um trator até o financiamento de um projeto de lavoura ou a construção de uma escola ou hospital. As forças conservadoras estão se organizando cada vez mais para participar dos territórios e viabilizar seus projetos à medida que se apropria melhor da estrutura territorial que está em andamento. Na luta pela Democratização do Estado que iniciamos no movimento sindical cutista temos nos territórios um grande desafio para colocar nossas propostas de ações em prática.

Ubiratan Francisco de Oliveira

Prof. Mestre em Geografia

Assessor de Formação da ECO-CUT

 

O Percurso Formativo pensado pedagogicamente

 

Chegou o momento de cada FORMADOR/EDUCADOR e cada FORMADORA/EDUCADORA SINDICAL colocar em prática o que vivenciou no Curso de Formação de Formadores, ou seja, REALIZAR um Curso de Formação Sindical, no seu local de trabalho, no seu sindicato, na CUT.

Aqui vão algumas dicas que podem ajudar o FORMADOR/EDUCADOR e cada FORMADORA/EDUCADORA na hora de organizar a atividade: curso, seminário, encontro, evento.

1.Pensar a atividade: curso, encontro, seminário?

A Formação alimenta nossa atuação sindical, nossa intervenção, nossa prática e, ao mesmo tempo, se alimenta dela.

Curso de Formação – momento sistemático de estudo. Por isso, o grupo deve ter postura de estudo. Não é reunião. Não é assembléia. Por isso, comportamentos de reunião e de assembléia devem ser “evitados”. 

O Curso de Formação é um espaço de reflexão, de debate, de construção de conhecimentos. Ninguém precisa ser o “certo” na discussão... Todos debatem, trocam idéias, experiências, divergem em muitos casos, mas no campo das idéias... 

O Curso de Formação, também não é instância deliberativa do sindicato, por isso é necessário fazer votação, nem fazer defesa de posições, nem “marcar” posições.

2.Planejamento da atividade: pensar o Percurso Formativo

•Data e local da atividade

•Horários das atividades

•Convidados para participar

•Conteúdos que serão trabalhados

•Objetivo das atividades

•Dinâmicas para iniciar as atividades e ou para introduzir conteúdos

•Organização do material didático

Percurso... não é programação... não é estático... Percurso é caminho... trajetória... caminhada...

•Data: pensar uma data que facilite uma maior participação.

•Local: ver um local que acomode bem as pessoas... ambiente próprio para estudo, que evite barulhos, pessoas transitando, interferências de fora.

•É importante, deve ser apresentado, mas não deve engessar, pode ser alterado coletivamente.

•É um roteiro a ser seguido, mas pode ser alterado.

•O percurso deve ter coerência.

•O percurso é organizativo.  

•Cuidado: alterar um roteiro exige diálogo e novo planejamento.

3.Chegou a hora de iniciar a Atividade

•Fazer a apresentação do Percurso Formativo e do material que vai ser usado

•Fazer a apresentação dos Participantes

•Formar as Comissões de Apoio

•Fazer os Combinados com o grupo

•Levantar as Expectativas

A abertura

•A abertura é uma formalidade. Mas muito importante, porque é momento que participam os dirigentes... falam... se envolvem... manifestam suas idéias e concepções. 

•A formação é orgânica ao processo político sindical. Por isso, é fundamental o envolvimento dos dirigentes.

Apresentação 

•Precisa de uma dinâmica, mesmo que todos já se conheçam...

•A apresentação tem a finalidade de integrar o grupo, criar laços afetivos, comungar conhecimentos, construir interação na diversidade, agrupar, descontrair, e outras finalidades que temos que levantar. 

•Exige reflexão sobre si mesmo.

•Crachás – importante, mas, cuidado para não ficar escravo do instrumento.

Comissões de Apoio

Interagem com o grupo e apóiam a equipe organizadora. Por outro lado, cria responsabilidades e divide a responsabilidade pela condução do processo. Algumas comissões importantes:

•Relatórios

•Místicas

•Horários

•Lazer e outras

Combinados

•Alguns combinados são necessários: horários, celulares, conversas, etc.

•O curso exige: Postura de estudo. Concentração. Reflexão. Diferente de reunião, assembléia, congressos, etc.

Expectativas

•Muito importante, desde que resgatadas no final. É bom ter dinâmica, para facilitar a expressão e evitar as falas prontas, tipo: crescer, conhecer, etc...

Horário: grande dilema, respeitar horários.

•Convencer: você cumpre e a responsabilidade com o processo, com os recursos gastos e com os trabalhadores estão na base.  

•Observar o fator tempo. È importante ser rigoroso no cumprimento dos horários... desde o início das atividades. Cumprir o horário para iniciar, mas também, para terminar. 

•Para cobrar o cumprimento do inicio, temos que, também, concluir no horário previsto. 

•Não permitir que a atividade vá se estendendo... estendendo... e o pessoal cansando e saindo da atividade. 

•Observar: horários para intervalos, refeições e término. É importante definirmos os horários porque as pessoas participantes da atividade, também, se organizam a partir dos horários e momentos previstos. 

Conteúdos e temas:

•Primeiro, é importante definir um eixo ou um tema para aquele curso ou evento. Porque, a partir do tema, vai-se definindo os conteúdos.

•Cada conteúdo do momento deve fazer parte de um todo... procurar trabalhar com conteúdos relacionados entre si, com o tema e com objetivo da atividade , trata-se de questão organizativa.

•Para cada conteúdo é bom definir um objetivo, se não corremos o risco de perder o foco.

Avaliação

•Importante fazer a avaliação da atividade, contemplando todos os aspectos, tais como: local, hospedagem, alimentação (infra-estrutura), conteúdos trabalhados, metodologia, educadores, coordenadores, etc. 

Dinâmicas

•As dinâmicas são muito importantes para iniciar as atividades, para apresentação das pessoas, para introduzir ou para discutir conteúdos.

•De acordo com o momento... com o conteúdo, pensar a dinâmica.

•Cuidado: escolher dinâmicas apropriadas para cada momento... não muito longas porque cansam e atrapalham o conteúdo.

Educador

•É este o nome? Facilitador? Formador?  O importante é que não é um professor que fala, expõe, ensina... Mas uma pessoa que não é dona da verdade, do conhecimento, do saber... é alguém que ensina e aprende.

4.Preparar o material que vai ser usado

•É fundamental conhecer o local onde vai acontecer a atividade (para não ter surpresas desagradáveis e não prejudicar a atividade).

•Confirmar os convidados que vão fazer palestras, falas, exposições ou outro trabalho na atividade.

•Preparar com antecedência todo o material e equipamento que vai ser usado.

•Kit de material didático: pastas, canetas, papel para anotações, apostilas com o conteúdo e o que mais houver.

•Kit de equipamentos: note book e data show (se for ser usado), vídeos, filmes, aparelhos de som (se for ter músicas), etc. 

•Todo o equipamento de informática, vídeos, filmes, etc, devem ser testado antes...

•Lista de presença oficial (com logomarcas, timbrado, data, local, etc)

•Cadastro dos participantes.

5.O pós-atividade (Relatório e Prestação de Contas)

Relatório descritivo das atividades.

a.Constar uma capa padrão com nome da atividade, data e local;

b.Constar as Logomarcas necessárias;

c.Constar o percurso formativo da atividade desenvolvida;

d.Anexar à lista de presença dos participantes;

e.A avaliação final das atividades feita pelos participantes;

f.Cópias de fotografias da atividade desenvolvida;

Registro fotográfico e de vídeo das atividades.

a.Documentar com fotos cada atividade desenvolvida.

b.Gravar em um CD e identificar.

Prestação de contas financeira

a.Fazer o Relatório Financeiro.

Esperamos que estas dicas ajudem cada dirigente/formador (a) a realizar as suas atividades de formação sindical e estamos abertos as contribuições para aprimorarmos estas nossas sugestões.

 

Equipe ECO/CUT

Abril/2010

 

 

A Formação Sindical e a Formação em Economia Solidária

A Formação Sindical cutista historicamente tem tido um papel importante e estratégico na construção coletiva da concepção sindical, de uma cultura de classe e da identidade da classe trabalhadora. Trabalha com o resgate da trajetória dos trabalhadores (as) e do seu papel enquanto agente de transformação da sociedade. Cria as condições para esse trabalhador (a) questionar e teorizar a partir da apropriação do seu conhecimento acumulado e de sua própria prática. É um instrumento capaz de, cotidianamente, aumentar o potencial e a qualidade de intervenção do sindicato na sociedade. Enfim, a formação sindical visa desenvolver a emancipação política, social e humana dos trabalhadores e trabalhadoras, tanto para as relações de trabalho e no trabalho, quanto nas relações pessoais e sociais em geral. 

Para a formação a CUT defende a concepção de Educação Integral, que abrange todas as dimensões da educação (cultural, técnica, social, política) em um processo permanente de construção coletivo e dialógico do conhecimento, vivenciado através de um fazer pedagógico e metodológico, sem dúvida, emancipador, onde os conteúdos, os diálogos, os debates e as reflexões se constituem em processos de (re) construção de novos conhecimentos, promovendo um empoderamento visível dos/as envolvidos, percebido nas falas, na atuação e na ação no dia-a-dia pessoal e sindical.

Este processo tem levado a CUT a atuar, também, na formação em Economia Solidária, desde o ano de 1999, com a criação da Agência de Desenvolvimento Solidário – ADS, criada com o objetivo de contribuir para a construção de uma sociedade democrática, organizada de forma solidária e participativa, voltada para satisfazer as condições de vida, considerando seus aspectos sociais, ambientais, políticos, culturais e econômicos dos trabalhadores (as). 

A experiência da CUT na Economia Solidária vem se consolidando e avançando e tem naturalmente levado a atuar em programas e projetos de formação em Economia Solidária, como o Projeto de implantação de Centros de Formação em Economia Solidária, que na região Centro-Oeste, está sendo implementado pela Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT Apolônio de Carvalho em parceria com o Ministério do Trabalho e Secretaria Nacional de Economia Solidária. 

A atuação na formação em Economia Solidária tem levado a CUT a dialogar com o movimento de Economia Solidária sobre a concepção de formação e conseqüentemente, sobre a concepção da própria Economia Solidária. Esta reflexão tem alimentado e se alimentado de concepções da formação sindical da CUT, especialmente sobre qual o projeto político pedagógico necessário a formação em economia solidaria; a sistematização coletiva das vivências e experiências; a construção da rede de educadores (as); a formação de formadores; o percurso pedagógico, dentre outros. 

A educação/formação em economia solidária, neste sentido, é concebida como uma construção social inerente aos processos de trabalho autogestionários, como elemento fundamental para viabilizar as iniciativas econômicas, para ampliação da cidadania ativa e do processo democrático e como um movimento cultural e ético de transformação das relações sociais como base de um novo modelo de desenvolvimento e, tem ainda, como tarefa o desenvolvimento e sistematização de metodologias de educação popular em economia solidária.

Como parte do processo de formação tem sido feita muitas reflexões sobre concepção de Economia Solidária, baseadas no acúmulo que a CUT e o movimento de economia solidária possuem oriundos do processo de discussão sobre a economia solidária desde os anos 90 que levou a criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (dentro do Ministério do Trabalho), do Conselho Nacional de Economia Solidária e da realização de duas Conferencias Nacionais de Economia Solidária (2006 e 2010), onde se reafirmou que, para a construção de uma estratégia de desenvolvimento sustentável e solidário, coloca-se a necessidade de reconhecimento da economia solidária como direito de cidadania, entendido como direito dos trabalhadores (as) às condições socialmente necessárias de produção e como dever do Estado. Neste sentido, um dos grandes desafios é avançar na institucionalização e na ampliação das políticas públicas de Economia Solidária, tornando-a permanente na estrutura do Estado Brasileiro. Para isto, uma das propostas mais consistentes apresentadas foi a da necessidade da elevação política do órgão federal responsável pela Política Pública de Economia Solidária, com a criação de um Ministério da Economia Solidária.

Dentro desta concepção, o Ministério da Economia Solidária, viabilizaria lutas e conquistas do movimento, tais como: o reconhecimento dos empreendimentos econômicos solidários, como sujeitos de direito; a ampliação do acesso ao conhecimento por meio da educação, da formação, do assessoramento técnico e das tecnologias sociais; a ampliação do acesso ao crédito (investimentos e capital de giro) para os empreendimentos, bem como fortalecimento das iniciativas de finanças solidárias (bancos comunitários, fundos solidários e cooperativas de crédito solidário); a ampliação do acesso aos mecanismos e instrumentos de comercialização justa e solidária, incluindo a implantação do Sistema de Comércio Justo e Solidário e a participação dos empreendimentos econômicos solidários nas compras governamentais.

Entretanto, esta é uma concepção em disputa, porque existe um Projeto de Lei, o PL 865, que propõe a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa com status de Ministério, e, propõe levar o Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES) e a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) para a mesma. Esta Secretaria, da Micro e Pequena Empresa, teria competências relacionadas à formulação de políticas e diretrizes de apoio à microempresa, à empresa de pequeno porte e ao segmento do artesanato para tratar de temas como o cooperativismo e associativismo urbanos, a promoção do desenvolvimento de arranjos produtivos locais, programas de qualificação e extensão empresarial, e iniciativas para o aumento da participação das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras e sua internacionalização. 

Esta concepção não coaduna com a concepção da Economia Solidária descrita acima e defendida pelo movimento de economia solidária. A concepção defendida é a da constituição, fortalecimento e articulação de empreendimentos autogestionários, buscando a geração de trabalho e renda, através da organização econômica, social e política dos trabalhadores, inseridos num processo de desenvolvimento sustentável e solidário. 

Buscando continuamente o reconhecimento do saber acumulado pelos trabalhadores e trabalhadoras, na vida em geral e no trabalho, em especial, sempre partindo do acúmulo da política de formação da CUT e das experiências e saberes de cada trabalhador (a) envolvido (a) nos processos formativos é que acreditamos e defendemos o que já está referenciado pelo movimento nas suas instâncias de reflexão e deliberação.

A ECO/CUT e o Centro de Formação em Economia Solidária

A experiência da CUT na Economia Solidária vem se consolidando e avançando e tem nos levado a atuar em programas e projetos de formação em Economia Solidária, como o Projeto de implantação de Centros de Formação em Economia Solidária em todas as regiões do país. Na região Centro-Oeste, no ano de 2008, com o apoio do movimento de economia solidária, a ECO/CUT - Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT - Apolônio de Carvalho, firmou parceria com a Secretaria de Nacional de Economia Solidaria do Ministério do Trabalho para a implantação do Centro de Formação da região com o objetivo de fazer a formação em Economia Solidaria nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

Desde então, o CFES vem fazendo a formação em economia solidária, tendo como principais objetivos:

  • contribuir para o fortalecimento dos empreendimentos econômicos solidários por meio da ampliação do número de formadores (as) em economia solidária;
  • desenvolver metodologias e conteúdos de formação em economia solidária;
  • sistematizar e disseminar as metodologias e os conteúdos da formação em economia solidária;
  • produzir e disseminar materiais pedagógicos e informativos sobre economia solidária; 
  • contribuir para a articulação de formadores (as) e educadores (as) que atuam com economia solidária.

O CFES vem se constituindo como um espaço de consolidação de saberes, vivências e conhecimentos em economia solidária na região Centro-Oeste, por onde já passaram milhares de pessoas nas atividades desenvolvidas:

  • cursos estaduais e regionais de formação de formadores em economia solidária;
  • seminários regionais de formação em assistência técnica voltada para economia solidária; de sistematização e do projeto político pedagógico do CFES;
  • oficinas locais de formação em economia solidária e,
  • reuniões estaduais e regionais de articulação de formadores.

Desde a implantação do CFES, 3.322 pessoas já participaram das atividades, sendo 1.040 homens e 2.282 mulheres, conforme podemos observar pelos números por Estado:

  1. Distrito Federal: 917 participantes, sendo 302 homens e 617 mulheres.
  2. Goiás: 763 participantes, sendo 260 homens e 503 mulheres.
  3. Mato Grosso: 843 participantes sendo 256 homens e 587 mulheres. 
  4. Mato Grosso do Sul: 799 participantes, sendo 222 homens e 577 mulheres.

Além da formação em economia solidária voltada para educadores/as, os empreendimentos, os gestores/as das políticas públicas em economia solidária, os militantes da economia solidária, tem se destacado, a participação do movimento sindical no movimento da economia solidária. Todas as CUTs nos Estados estão profundamente envolvidas nas atividades de formação, nos fóruns de economia solidária, nos debates promovidos na realização de eventos do movimento. Após a implantação do CFES na região, muitos sindicatos e dirigentes sindicais e das CUTs assumiram e estão assumindo papéis de destaque no movimento e na luta por uma economia solidária nos seus municípios, sindicatos e locais de trabalho.

Acreditamos, que a formação em Economia Solidária junto com a formação sindical tem contribuído para fortalecer e estimular a cooperação, a solidariedade, a transparência nas ações e atitudes, a sustentabilidade, a igualdade entre homens e mulheres, a coletivização dos meios de produção, o comprometimento com o projeto coletivo, os movimentos e organizações sociais. Essa postura e comportamento indicam, reforçam e fortalecem a relação política da CUT com outros movimentos. 

Reforçando a nossa crença no papel estratégico da formação dos trabalhadores (as) citamos o professor Paul Singer, que diz: 

“A Economia Solidária é um ato pedagógico em si mesmo, na medida em que propõe uma nova prática social e um entendimento novo desta prática. A única maneira de aprender a economia solidária é praticando-a. mas, seus valores fundamentais, precedem a prática”.

 

Colaboração Sueli Veiga Melo

Coordenadora Geral da ECO/CUT